Cidade do México, México:
Uma dona de casa de classe média, esta a duas de suas quatro horas diárias de sua maratona de novelas, é sua terceira novela do dia, não que isso faça muita diferença, pois a história é sempre a mesma apenas mudando o nome dos protagonistas de novela para novela. Essa alienação proporcionada a mantém feliz, enquanto que os comerciais de produtos de qualidade inferior alimentam seu impulso consumista. Essa é a realidade controlada na qual esse ser humano de classe média pode abster-se de idéias próprias e imaginação, permitindo subjugar-se a uma realidade controladora e com a certeza de um final feliz.
Brasília, Brasil:
A Maior empresa de comunicações do país e uma das maiores do mundo vende ao povo brasileiro a idéia de que sua grade diária é uma das melhores e de maior nível cultural do mundo.
O brasileiro não só acredita como também sabe que essa afirmação tem respaldo quando abre o jornal de maior circulação do país (o Globo do grupo Globo) e em qualquer periódico líder de vendas em sua região. O brasileiro já não precisa mais pensar desde a década de 60, ele apenas compra tudo que lhe é oferecido pelo “monarca” da mídia: desde o que devemos vestir, o que devemos ouvir; os trejeitos e como devemos falar ou até mesmo qual o candidato mais apto para um cargo público, subjetivamente da forma mais ordeira possível.
O empresário Roberto Marinho descobriu a formula do sucesso quando em 26 de abril de 1965, 3 anos após ganhar concessão do presidente Goulart levou ao ar o canal 4 do RJ. Ele não simplesmente controlava uma rede de televisão, ele controlava algo muito mais táctil e muito mais valioso: ele passou a controlar fluxo de informação. Mesmo durante a ditadura militar, mesmo com toda censura e repressão, a Rede Globo vendeu suas idéias do que deveria ser certo e errado através de suas novelas, telejornais e demais programações que transmitiam uma idéia de “eterna felicidade controlada”, ou como o presidente Médici em 1972 disse: “Fico feliz todas as noites quando assisto ao noticiário. Porque, no noticiário da Globo, o mundo está um caos, mas o Brasil está em paz.”
E não foi suficiente o advento de novas redes de transmissão (Manchete e SBT) para desbancar o monopólio da globo sobre o povo brasileiro. Nem mesmo a internet e demais meios moderníssimos de comunicação libertam a mente das massas, que como cordeiros felizes sentam-se em frente aos seus aparelhos de tv toda noite as 20 horas, na espera do apresentador do Jornal Nacional e seu tradicional “Boa Noite”, para então poder ir dormir tranqüilo dentro de seu mundinho perfeito.
E quanto a mim? Resta-me admirar o como a sociedade a qual pertenço permitiu-se por tanto tempo acreditar que vive em uma democracia quando na verdade essa idéia já foi pré-concebida, analisada, aprovada e distribuída desde quando éramos pequenos através do Xou da Xuxa, Trapalhões, Cassino do Chacrinha, Big Brother Brasil...
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